segunda-feira, 11 de abril de 2011

Roupa de Inocência .


“Criou Deus o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1:27).

A luz que cobria de felicidade nossos primeiros pais inocentes foi perdida na Queda. No entanto, Deus providenciou outra cobertura pelo derramamento de sangue. Tudo isso simboliza o que Cristo fez por nós.

Nudez coberta de inocência (Gn 2:20-25). O novo mundo era repleto de gloriosa vida e cor. O som ambiente era melodioso com o canto dos pássaros. Animais vinham em pares: semelhantes, mas exibindo diferenças sutis entre eles, para receberem nomes dados pelo homem. No entanto, não havia parceira para o homem. Por um tempo, ele experimentou a dor da solidão. Então, Deus o fez cair num sono profundo, tomou uma costela de seu corpo e criou uma mulher para ele amar. Tudo era puro quando eles acordaram para descobrirem um ao outro, nus e belos. Eles estavam perfeitamente tranquilos com seus corpos e estavam cobertos de inocência. Nada precisava ser escondido e nada interferia em seu sentimento de admiração e unidade. Tudo era puro.

A única lei da inocência (Gn 2:15-17). Deus desejava que Adão e Eva permanecessem em seu estado de inocência para sempre. Ele poderia ter tornado impossível pecar, mas o Universo precisava testemunhar de Sua justiça. Só havia um mandamento no Jardim do Éden. Era um mandamento que deveria ter sido fácil de ser guardado. Em Sua generosa justiça, Deus criou centenas de árvores com frutos deliciosos, e havia no meio do jardim somente uma que poderia destruir aquelas vestes de inocência. Uma árvore que envolvia o direito de escolha do primeiro casal.


Inocência perdida (Gn 3:6-11). Quando Adão e Eva comeram da árvore proibida, eles realmente conheceram “tudo”. A primeira coisa que notaram foi que não estavam mais cobertos de inocência. Eles se sentiram envergonhados, por serem vistos pelo outro, e ainda mais constrangidos ao serem vistos por Deus. Em desespero, pegaram as maiores folhas de figueira que conseguiram encontrar e as costuraram juntas – as primeiras roupas do mundo. Então se esconderam entre os arbustos, com medo de Deus.


Esconde-esconde (Gn 3:8-19). Deus veio procurar por Adão e Eva. Embora Ele soubesse onde eles estavam, ainda perguntou, “Onde vocês estão?” Então, Ele pediu que eles Lhe contassem sua história. Suas perguntas e respostas podem ser lidas com mais tristeza do que ira. Ele então lhes contou o que aconteceria com eles e com o mundo porque a inocência deles havia sido roubada.

As vestes de sacrifício (Gn 3:21). Talvez Adão e Eva tenham percebido a inconveniência de suas roupas de folhas, ao elas serem arrancadas dos arbustos e começarem logo em seguida a murchar em seus corpos. Deus certamente percebeu o problema. E, num momento profundamente doloroso, Ele mesmo toma um dos animais, talvez um que Adão conhecesse e tivesse amado, e o mata. Despelando o animal ainda quente, Deus faz para eles roupas que aqueciam mais, próprias para o frio que começou a soprar no jardim. Esse não é somente o ato generoso de um Deus amoroso com o coração quebrantado, mas um poderoso símbolo. As roupas que Adão e Eva fizeram eram inadequadas. Sabemos que é impossível fazer qualquer coisa para nos tornar justos diante de Deus. Nossa pecaminosidade exige a morte de um Cristo inocente, pré-anunciada através das mortes ensanguentadas de animais inocentes. Essa não é uma lição apenas sobre estilo de roupas. É uma lição sobre o plano de salvação de Deus. É um reflexo de esperança cintilando no meio da densa escuridão do primeiro dia de pecado.


Inocência restaurada (Rm 12:1; 2Co 4:16; 5:21). Aquele primeiro reflexo de esperança continua a brilhar para nós. Isso acontece quando nos arrependemos de nossos pecados e aceitamos a Cristo como nosso Salvador, para que nEle nos tornemos “justiça de Deus” (2Co 5:21). Essa esperança é belamente ilustrada em Zacarias 3:4. Mas ainda há mais! Uma vez que tenhamos aceitado a Cristo como nosso Salvador, nossa natureza espiritual “é renovada diariamente”1 (Rm 12:1; 2Co 4:16). Isso ocorre através da habitação do Espírito Santo de Deus em nós, ao Ele nos capacitar e fazer crescer o fruto do Espírito que, em essência, constitui o caráter de Cristo (Jo 15:5; Gl 5:22, 23).2


Também crescemos quando procuramos não ser enganados pelas mentiras de Satanás (1Pd 5:8). Precisamos orar constantemente para que não nos desviemos em direção às tentações (1Ts 5:17). Devemos mostrar o amor de Deus para aqueles que estão em necessidade (Mt 25:31-40). Estudar a Bíblia e meditar em suas palavras também nos ajuda a crescer (Sl 119:15, 23, 48, 78; 2Tm 2:15). A Palavra de Deus nos guia em direção a Sua verdade e para longe das mentiras de Satanás. A Bíblia também nos mostra no que acreditar, como viver bem e como aceitar as roupas de inocência de salvação através de Jesus. Confiar na Palavra de Deus como verdadeira e obedecer Suas instruções nos previne de sermos arrastados em direção aos frutos proibidos.

Pelo fato de Adão e Eva não terem sido vigilantes, eles se afastaram da segurança de Deus. Eles se esqueceram de permanecer em constante comunicação com Ele, para que Ele pudesse lembrá-los de Suas regras de proteção. Eles pararam de ter cuidado um com o outro e desconfiaram das regras simples de salvação que lhes foram dadas. Mas Cristo, com amor, proveu o sacrifício para cobrir a nudez deles e a nossa.


“Um abrigo de folhas de figueiras nunca cobrirá nossa nudez. O pecado deve ser removido e o manto da justiça de Cristo deve cobrir o transgressor da lei de Deus. Então, quando o Senhor olha para o pecador arrependido, Ele não vê as folhas de figueira que o cobrem, mas a própria justiça de Cristo, que é a perfeita obediência à lei de Jeová ­– o homem tem sua nudez oculta, não sob a cobertura das folhas de figueira, mas sob o manto da justiça de Cristo.


“O pecado é deslealdade para com Deus e merece punição. As folhas da figueira têm sido empregadas desde os dias de Adão, e, no entanto, a nudez da alma do pecador não foi coberta. Todos os argumentos levantados por aqueles interessados nesse manto de fina espessura se transformarão em nada. O pecado é a transgressão da lei. Cristo foi manifesto em nosso mundo para tirar a transgressão e o pecado e substituir a cobertura das folhas de figueira pelo manto impecável de Sua justiça.

A lei de Deus permanece vindicada pelo sofrimento e morte do unigênito Filho do Deus infinito.

“A transgressão da lei de Deus em qualquer caso, por menor que seja, representa pecado. E a não execução da penalidade estipulada para esse pecado seria um crime na administração divina. Deus é um juiz, o Aplicador da justiça que é a morada e fundamento de Seu trono. Ele não pode dispensar Sua lei; Ele não pode passar por alto o mínimo item a fim de condescender com o pecado e perdoá-lo. A retidão, a justiça e a excelência moral da lei devem ser mantidas e vindicadas perante o universo celestial e os mundos não caídos” (Olhando Para o Alto [MM 1983], p. 373).


Imagine um mundo onde nunca tenha se ouvido falar de escândalo sexual. Nada de pornografia. Nada de prostituição. Nada de infidelidade. Esse mundo é perfeito. Deus mesmo disse que ele era “muito bom” (Gn 1:31). Gênesis 2 conta como Ele criou o homem e a mulher e a instituição do casamento. Estranho como isso possa parecer hoje, o homem e a mulher estavam nus e não se envergonhavam (Gn 2:25). O que essa “nudez” significava? “Adão e Eva não tinham necessidade de roupas materiais, pois o Criador lhes havia envolvido com um manto de luz, um manto simbólico de Seu justo caráter, o qual se refletia perfeitamente neles” (The SDA Bible Commentary, v. 1, p. 227).



Após Adão e Eva desobedecerem a Deus, eles não estavam mais qualificados para usar suas vestes simbólicas, pois não mais refletiam a imagem do caráter justo de seu Criador. De repente eles se sentiram nus e se envergonharam; tentaram consertar essa situação por si próprios, confeccionando novas roupas com folhas de figueira. Mais tarde, ao Deus caminhar pelo jardim e chamar a Adão, o casal se escondeu com medo. Por quê? Eles já não estavam nus antes? Por que se esconderam de Deus agora? Algo aconteceu que não estava diretamente relacionado às roupas. Pela primeira vez na História, os seres humanos tinham alguma coisa para esconder. Adão não disse a Deus que ele tinha pecado, mas reconheceu que tinha algo para esconder. A resposta de Adão é estarrecedora: “Ouvi Teus passos no jardim e fiquei com medo, porque estava nu; por isso me escondi” (Gn 3:10).


Antes que Adão e Eva deixassem o jardim, Deus fez para eles roupas de pele (Gn 3:21). Essas roupas os protegeriam das mudanças climáticas que ocorreriam como resultado de seu pecado. Além disso, elas precisavam ser mais apropriadas para o pesado trabalho físico que se estendia diante deles. Mas, ainda mais importante, “as peles eram um lembrete constante de que eles haviam perdido sua inocência, de que a morte é o salário do pecado e do prometido Cordeiro de Deus que iria, por Sua própria morte substitutiva, tirar os pecados do mundo” (Ibid., p. 235).


Adão e Eva estragaram tudo quando eles desobedeceram a ordem de Deus para não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal. No entanto, após eles perceberem que estavam nus, cometeram outro erro ao costurar as folhas de figueira para se cobrirem. Ao invés de aceitar responsabilidade por seus atos e admitir seu pecado, eles tentam acobertá-lo, escondendo sua nudez

Eu me lembro de ter feito algo semelhante ao “truque” das folhas de figueira, quando eu estava na universidade. Eu não queria que meus professores pensassem que não estivesse bem preparada para as matérias deles. Então, em vez de admitir que uma teoria não estava bem clara para mim, eu tentava dar a entender que realmente a tivesse compreendido. No entanto, ao esconder minha fraqueza dos meus professores, eu estava perdendo muitas oportunidades de aprender.

Como podemos ser mais autênticos?

Abra seu coração a alguém em quem você confie. Todos estamos nus, metaforicamente, e nossas “folhas de figueira” não enganarão ninguém por muito tempo. Como nós podemos ser honestos diante de um Deus perfeito, se não admitimos nossas faltas nem mesmo aos seres humanos que amamos? “Entre vocês há alguém que está sofrendo? Que ele ore. Há alguém que se sente feliz? Que ele cante louvores. Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor.


A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, ele será perdoado. Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tg 5:13-16). Se você luta com o mesmo tipo de pecado todos os dias, peça a uma pessoa responsável em quem confia para ser um parceiro com quem possa contar. Essa pessoa pode apoiá-lo(a) com oração e também com companheirismo.


Tire as folhas de figueira e deixe Deus lhe vestir. Não há nada que possamos fazer por nossa própria força e vontade para recuperar nossa inocência. Precisamos aceitar de todo o coração a graça que o sacrifício de Jesus conquistou para nós. “O Senhor Jesus Cristo preparou uma cobertura, um manto de Sua própria justiça, que Ele colocará sobre toda alma arrependida e convicta que, pela fé, receberá.” (The Advent Review and Sabbath Herald, 15 nov. 1898).

Tudo ia bem no Jardim do Éden. Então, de repente, Adão e Eva falharam em seu teste de obediência. Ao invés dos seus filhos (toda a humanidade) herdarem a vida eterna e um perfeito relacionamento com Deus, existia um problema. Ali, perdemos nossa inocência, justiça e herança como filhos de Deus. E a morte entrou no mundo.

Apesar disso, através de uma série de alianças, Deus pôde nos levar de volta para Sua família. Ele Se revestiu de nossa humanidade para que pudéssemos nos revestir de Sua justiça. Nós todos somos “filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram” (Gl 3:26, 27).


No batismo, nós nos vestimos com Cristo. Somos vestidos em Sua justiça, mas não apenas para cobrir as manchas de nossos pecados. Somos vestidos pelo Seu caráter. Agimos como Ele age. Amamos como Ele ama. Vivemos como Ele vive, e então a Sua justiça se torna a nossa. Isso não é faz-de-conta. É realidade!


E o que falar das nossas roupas físicas hoje? Importa o que nós usamos desde que estejamos “vestidos com Cristo”? Para mim, a resposta é sim, até certo ponto. Nossa aparência exterior deveria refletir nossa roupa interior de humildade, amor ao próximo e respeito por todos ao nosso redor. Isso pode significar coisas diferentes em situações e culturas diferentes nas quais nos encontremos. No entanto, nosso foco não pode estar no lado físico de nossas roupas mas na realidade espiritual que é representada através de como nos apresentamos. O apóstolo Pedro nos diz que nossa beleza não deveria vir de adornos exteriores, mas de nosso interior (1 Pd 3:3, 4). Portanto, da próxima vez em que estivermos na igreja, ao invés de nos preocuparmos com quão espertos estamos parecendo aos olhos dos outros, deveríamos pensar mais sobre nosso interior, a roupa que Deus realmente vê.

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